08/06/2017

Os FDP na EDP

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, Eduardo Catroga, afirmou esta terça-feira que alguns dos accionistas da empresa, que é controlada pela China Tree Gorges, admitem avançar com acções judiciais sobre os autores da denúncia anónima que lançou a investigação aos contratos da EDP, em 2012.

“Não se brinca com empresas cotadas, lançando denúncias anónimas”, afirmou Eduardo Catroga, sentado ao lado de António Mexia, que na sexta-feira passada foi constituído arguido numa investigação por corrupção.

... por falar em brincar decidimos reunir algumas notícias sobre a EDP nos últimos anos para vermos afinal quem anda a brincar com quem: 

Em primeiro lugar ... excelente salários :

O presidente executivo da EDP, António Mexia, recebeu 984 mil euros a título de remuneração fixa ao longo de 2016, valor a que a empresa acrescentou mais duas remunerações variáveis que, em conjunto, somaram mais 1,05 milhões de euros de ganho para o ex-ministro do PSD e ex-presidente da Galp. Tudo somado, foram 2,036 milhões de euros brutos, o que dá uma média de 5500 euros por dia.

De acordo com o relatório e contas da elétrica, e além do salário fixo de 984 mil euros, Mexia recebeu mais 396 mil euros de prémio relativo às contas de 2015 e outros 656,17 mil euros relativo a prémios de 2013. Tudo pago ao longo de 2016. Segundo os valores presentes no documento, o montante global ilíquido, pago pela EDP, aos membros do Conselho de Administração Executivo em 2016 foi superior a 10,3 milhões de euros, dos quais 4,6 milhões em remunerações fixas, 2,3 milhões em prémios relativos a 2015 e outros 3,38 milhões em prémios de 2013.

Se a estes valores juntarmos os salários pagos a administradores da EDP por outras participadas, atingimos então os 10,8 milhões de euros. aqui 

Electricidade e gás em Portugal são os mais caros da Zona Euro

Os dados do Eurostat mostram que as famílias portuguesas são as que suportam a maior factura com a electricidade e o gás. Na electricidade metade dos custos são impostos ou taxas. As famílias portuguesas pagaram em média 22,9 euros por cada 100 kWh de electricidade consumida no segundo semestre do ano passado. Trata-se do sexto valor mais elevado entre todos os países da Zona Euro, só atrás da Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha e Bélgica.

Contudo, quando alterado o "ranking" para ter em conta a paridade de poder de compra padrão (PPS, na sigla inglesa), constata-se que os portugueses suportam a factura mais elevada com a electricidade que consomem. aqui
 


Como se já não pagassemos a energia mais cara da europa, já em 2012 a EDP errava na contagem da luz

A EDP errou na contagem da eletricidade de cerca de 480 mil consumidores com tarifa bi-horária ou tri-horária e acabou por cobrar mais de três milhões de euros indevidamente, segundo a Associação para a Defesa dos Consumidores. A EDP admitiu ao «Correio da Manhã» que apenas 30 mil clientes foram lesados por erros de precisão do relógio e software, e que as anomalias estão a ser corrigidas.  aqui

Contudo, a pagar impostos as contas são muito bem feitas ... já que não se gosta de pagar impostos em Portugal. aqui 

Mas mesmo assim quando pagam alguma coisa cá são ajudados. A adesão da EDP a dois programas lançados pelo Governo para regularização de dívidas e reavaliação de activos permitiu reduzir contabilisticamente os impostos, apesar de ter pago mais, ajudando a eléctrica a regressar a um crescimento nos lucros para 961 milhões. aqui

A EDP fechou 2016 com lucros de 961 milhões, beneficiada por um crescimento dos resultados operacionais recorrentes e por uma menor fatura com impostos 

O grupo EDP obteve em 2016 um resultado líquido de 961 milhões de euros, que compara com um lucro de 913 milhões alcançado no ano anterior. O presidente executivo da EDP, António Mexia, classificou 2016 como “um bom ano”, suportado por melhores resultados operacionais.

Depois de em 2015 o grupo ter elevado para 3,9 mil milhões de euros o seu EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), em 2016 este indicador ficou em 3,7 mil milhões, com uma queda de 4%.

Apesar desta queda, numa base recorrente o resultado operacional melhorou 6%. “Esta melhoria deve-se ao mercado ibérico, por uma melhoria da regulação em Espanha e uma produção hídrica acima da média”, sublinhou António Mexia na conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais. Isso permitiu compensar o desempenho mais fraco do negócio no Brasil e da EDP Renováveis.

Mas houve outro fator que beneficiou o resultado líquido da EDP: enquanto em 2015 tinha pago 278 milhões de euros em impostos, em 2016 os encargos fiscais baixaram para 89 milhões. aqui

Para esta facturação contribui as taxas e rendas de sabe-se lá o quê

Cerca de 40% do valor pago mensalmente pelos consumidores vai diretamente para custos como a garantia de potência ou o preço especial de produção da energia eólica. As dívidas dos consumidores nacionais às empresas produtoras de eletricidade totalizam 4,7 mil milhões de euros, em rendas e outros custos do sistema elétrico. Este valor significa que, cada português, deve cerca de 470 euros, mais juros, que terão de ser pagos até 2024 de forma faseada na fatura mensal da luz, segundo noticia esta quarta-feira o Jornal de Notícias. aqui 

... Por mais caro que isto saia aos portugueses

Os dados da pobreza energética em Portugal revelam uma política cruel. Somos recordistas europeus na chamada "mortalidade excessiva" sob o frio (a par do Chipre e de Malta). Metade das pessoas mais pobres não consegue ter a casa adequadamente aquecida no Inverno. E porquê? Porque temos a eletricidade e o gás mais caros da Europa. Em 2013, no pico da crise económica, fomos o país europeu com mais cortes de energia por falta de pagamento, acima da Grécia. A privatização do setor e o memorando da troika, com o aumento do IVA na eletricidade, custaram-nos muitas vidas e muita saúde.

Esta empresa, privatizada á pressa, poderia estar a render dinheiro a todos os portugueses e continuando a prestar um serviço essencial e de primeira necessidade, sendo guiada por esses mesmo valores, e não pelo valor de lucro a todo o custo

Os dividendos anuais da EDP e da REN podiam dar mais dinheiro ao Estado português do que a privatização das empresas feita pelo governo no início da legislatura. Esta é uma das conclusões da auditoria do Tribunal de Contas (TC) aos "Processos de (re)privatização do setor elétrico" desenvolvidos entre 2011 e 2013. Uma análise que também detetou conflitos de interesses num dos consultores financeiros que avaliou as empresas, a pedido do Estado, e depois trabalhou para os compradores. aqui

Para finalizar ... acabamos com uma ultima brincadeira : O presidente da elétrica portuguesa rejeita as críticas de que os preços da eletricidade em Portugal são caros. “A eletricidade não é cara. As casas é que são mal construídas” aqui
 
... muito mais haveria por dizer, mas não tenho dinheiro para ter o PC tanto tempo ligado á corrente.

A EDP Finance BV não tem atividade na Holanda, não vende nem produz eletricidade e apenas serve para maximizar o planeamento fiscal em operações financeiras. Em 2012, estas vantagens fiscais foram renegociadas, para condições fiscais menos vantajosas o que obrigou a empresa de António Mexia a pagar 34,7 milhões de euros "em benefício das autoridades fiscais holandesas – e não do Estado português", conclui o estudo do centro de investigação Somo.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/economia/detalhe/edp-lucra-140-milhoes-e-paga-5-de-imposto
A EDP Finance BV não tem atividade na Holanda, não vende nem produz eletricidade e apenas serve para maximizar o planeamento fiscal em operações financeiras. Em 2012, estas vantagens fiscais foram renegociadas, para condições fiscais menos vantajosas o que obrigou a empresa de António Mexia a pagar 34,7 milhões de euros "em benefício das autoridades fiscais holandesas – e não do Estado português", conclui o estudo do centro de investigação Somo.

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